Tailoring Ideas: xTetéx Franceski (Tattoer) por Umbro Brasil› 19 Setembro 2012
O papo dessa vez é sobre tatuagem e, para isso, fomos até o estúdio do tatuador Fernando Franceski, o Teté. A base de seu trabalho advém do estilo Old School, mas Teté busca sempre o seu próprio caminho em tudo o que faz. No início, tatuava os amigos, mas só fazia o que era interessante e original. Tentava, assim, impor seu estilo.
Para ampliar seu conhecimento, se tatuava com artistas mais experientes, observava e aprendia. Identificou-se com a filosofia PMA - Positive Mental Attitude, adotando-a como estilo de vida. Em 2004, criou o estúdio PMA Tatuagens.
Em constante trânsito pela Europa, Teté tem lugar garantido nos estúdios Legacy Tattoo (Finlândia) e Stockholm Classic (Suécia).
Os Xis agora fazem parte de seu nome (Xtetéx), faz questão de se identificar como um adepto do Straight Edge que conheceu através das bandas Hardcore, as quais ouve com frequência.
Fala Teté, tranquilo? Primeiramente, porque Teté, e como surgiu o seu interesse pela tatuagem?
Opa, beleza ! Rapaz, eu era pequeno, tinha uns 11 ou 12 anos e meu primo no interior tinha uma águia nas costas e era roqueiro. Passou o tempo e quando meu irmão completou 18 anos fez a dele no braço: um castelo com caveiras. Isso foi em 1990. Naquela época foi muito louco, meu irmão mais velho também fez tatuagem e também era roqueiro, não do tipo de rock que eu curta (risos), mas roqueiro. Dois anos depois eu fiz minha primeira tattoo, uma águia inca, na perna.
Cara, a minha vida de tatuador iniciou mesmo após várias conversas com meu amigo (até hoje amigo). Tatuamos a primeira vez e eu não parei. Até hoje me tatuo. Há 20 anos que faço isso no meu corpo.
Iniciei como tatuador em 1997, nessa mesma época, maio pra junho, isso lembro bem, e não parei mais.
Ahh, Teté é apelido de infância criado pela minha mãe e até hoje uso ele.
Fale um pouco sobre essa arte e o que ela representa para você?
Meu amigo, eu creio que seja tudo na minha vida. Deu-me principalmente uma estrutura emocional de encarar o mundo. Tatuei a minha mão na década de 90, e não tinha muita gente com a mão ou pescoço tatuado como hoje, fase difícil, o preconceito era maior. Mas tudo passou e hoje em dia não é assim, continuo fazendo o que gosto e sou feliz por fazer o que gosto, porque tenho ciência de que sou privilegiado, poucas pessoas fazem o que gostam.
Como você liga arte à tatuagem, você considera uma arte?
Cara, eu tento ser versátil. Eu costumo dizer que tatuagem é oficio, tem gente que não gosta porque acha que é arte, isso e aquilo, mas eu não posso largar uma tatuagem no meio do caminho e voltar a fazer daqui a um mês quando estiver inspirado de novo e fazer assim, como se fosse um quadro. A partir do momento em que se liga a maquininha, vira trabalho, e tem que ser bem feito, finalizado e com bom acabamento. Isso pra mim é tatuagem. Tem que parecer com tatuagem, e eu tento fazer isso, mas claro que tem gente que faz coisas bem diferentes que eu admiro, mas não faria.
Ao mesmo tempo que tatua, você tenta passar alguma mensagem?
Acho tatuagem muito peculiar e a mensagem que eu tento passar em um trabalho meu, é que as pessoas vejam e reconheçam que é sólido, tem cores fortes, e tento fazer o desenho fazer parte da pessoa, como se fosse parte dela mesma, e não algo colocado à toa. Significados são indiferentes numa tatuagem bonita, porque verão isso, se é bonita ou não, o significado é de cada um, cabeças mudam todos os dias, e a mensagem que tento passar, é que o que você carrega no seu corpo, lhe diferencia do outro ser humano! Não lhe faz melhor ou pior, mas lhe diferencia!
Sabemos hoje que você é um adepto ao vegetarianismo, como você relaciona esse estilo de vida com a tatuagem?
Sim, sim, sou vegetariano há mais ou menos 18 anos, mais ou menos metade da minha vida! Acho que a vida alternativa me juntou isso tudo. Sendo alternativo, tendo muitas tatuagens já antes mesmo de ser tatuador e sendo alternativo à dieta do mundo. Não creio que ambas as coisas tenham algo em comum, mas se tornaram comuns em minha vida. Até nas tintas que uso para tatuar, sempre faço questão de buscar os ingredientes para ter certeza da procedência.
Como você enxerga o crescimento da profissão e o que você diria para quem
está começando a tatuar?
Mano, esse tema dá o que falar, todo mundo tem o direito de começar, mas não do jeito que se vê hoje em dia, tudo é muito fácil. A internet trouxe aí a modernidade e a informação pra todos. Todos no mundo se conhecem, trocam informações, etc. Facilitou muito, e acho que os obstáculos que eu tive que passar, e outros antes de mim, hoje não existem, todos pensam somente em fazer sua própria arte e esquecem que existem outras coisas no mundo da tatuagem, como bons flashes (desenhos já feitos com esse propósito). Se um flash é bom, não tem problema nenhum em fazer uma reprodução, mas sempre tentam mudar alguma coisa e às vezes não tem necessidade, acaba perdendo a essência da coisa!
Hoje em dia os jovens, como às vezes dizemos entre os que são um pouco mais velhos, pulam o kanji, pulam o básico, e se perdem. Um passo por vez. Foi assim comigo e mesmo assim fiz minhas cagadas, mas jovens de hoje em dia não ouvem os mais velhos, já aprenderam tudo na internet, (risos). Resumo: Respeitem os mais velho, porra!
Sabemos que você é fanático por futebol, fale um pouco sobre a sua paixão por esse esporte.
A paixão começou quando era pequenino. Meu pai ainda era vivo, ele morreu em 82, mas assistíamos jogos em 80, 81, vi meu time ser campeão bem pequeno, depois veio a morte do meu pai e a derrota do Brasil na copa. Aquilo foi uma merda, (risos), chorei como a criança que era, 8 anos de idade, a derrota do Brasil para a Itália. Futebol arte de verdade, quem viu aquilo viu. Em 86 foi foda também, seleção boa de ver jogar, não que eu tenha memória de elefante, mas lembro de bastante coisa.
Sabemos também que você já assistiu a alguns jogos fora do Brasil e que tem uma coleção de camisas de diversos clubes. Conte-nos um pouco.
Sempre que viajo tento ver jogos. Já vi jogos no Uruguai, Alemanha, Inglaterra, Suécia, Suíça, Finlândia (mesmo que o finlandês pire mesmo é no ice hockey). Sempre tento arrumar uma camiseta do time local das cidades por onde passo, mesmo não vendo jogos.
Dentre times pequenos e grandes, devo ter umas 40 camisetas, não é muito, mas todas têm muito valor, e a coleção não vai parar, pois sempre que puder, aparecerá uma nova! Meu irmão sempre tenta me arrumar umas quando ele viaja a trabalho. A última que eu gostei foi de um time do Panamá, que se chama “São Francisco Futebol Clube”, total desconhecido, mas muito bonita, além de umas clássicas, como a do Estrela Vermelha Beograd (uma das favoritas, troquei com o irmão de um amigo sérvio de Beograd), a família do meu pai é iugoslava, e tenho boas memórias sobre isso ai, e todos sabem que iugoslavo adora futebol.
É praticante, torce por algum time?
Mano, sou torcedor do glorioso tricolor do Morumbi, de nascimento, já vi todas as glórias que meu time poderia me dar no mundo todo! Vou a quase todo jogo dentro das minhas possibilidades, posso até desmarcar uma tatuagem ou outra pra ir ao jogo, e isso acontece mesmo, (risos), e não minto para o cliente, mas acontece. Viajo quando dá, quando não dá, assisto pela tv, internet, ou o que seja, pra cima tricolor!
Década de 90 pra mim foi aquilo, né? Vi meu time ganhar tudo possível e imaginável, dos maiores do mundo na época. Fui muito feliz, as derrotas não tiram o valor das vitórias e meu time me deu muito mais alegrias do que tristezas, até hoje. A década de 2000 foi aquilo também, pouco aqui e pouco ali, mas ganhamos tudo o que podíamos de novo, muitas alegrias!
Hoje em dia vemos muitos jogadores, mundo a fora, com tatuagem. Qual a sua opinião sobre isso?
(Risos), cara...na boa, a maioria que eu vejo tem mesmo, mas de verdade, tem um terrível mau gosto. Acho que é melhor eu nem tocar no assunto, (risos), porque pelo amor de Deus, não sei se os tatuadores têm medo de falar pro cara que vai ficar feio, ou se só vão lá e fazem, pela fama, pelo dinheiro, sei lá. Acho que o tatuador poderia dar uns toques pra melhorar isso aí, não é só culpa de um (risos novamente). Por outro lado, expõem as tatuagens pra muita gente, diminui muito o preconceito, mas aumenta o mau gosto, (risos).
É isso ai Teté, valeu pelo papo, abraço !